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Saúde auditiva · Perda auditiva e surdez

Perda auditiva e surdez: tipos, graus, sinais e o que fazer

Perda auditiva é ouvir menos do que o esperado, em um ou nos dois ouvidos — de leve a profunda. Ela pode ser condutiva, neurossensorial ou mista, e o primeiro sinal costuma ser não entender bem no barulho. Perda súbita é urgência. A perda por som alto é permanente e evitável, e por isso esta página termina em prevenção.

Informação e autocuidado. Quem diagnostica e gradua uma perda auditiva é a audiometria, com fonoaudiólogo ou otorrinolaringologista.

Tipos de perda auditiva

A audição percorre um caminho: o som entra pelo canal, move o tímpano e os ossinhos do ouvido médio, chega à cóclea — o órgão em espiral do ouvido interno — e vira sinal nervoso até o cérebro. Onde o caminho falha define o tipo:

  • Condutiva: o problema está no ouvido externo ou médio — cera, infecção, líquido atrás do tímpano, perfuração. O som não chega com força à cóclea. Muitas vezes tem causa tratável.
  • Neurossensorial: a falha está na cóclea ou no nervo auditivo — por ruído, idade, genética, infecções ou medicamentos ototóxicos. Quando vem de ruído ou idade é permanente; a reabilitação é com aparelho auditivo ou, em perdas profundas, implante coclear.
  • Mista: as duas ao mesmo tempo.

A OMS lista entre as causas fatores genéticos e do nascimento, infecções, otite crônica, ruído, envelhecimento e medicamentos ototóxicos — e, entre as respostas, aparelhos auditivos, implantes cocleares e reabilitação. O tipo não se descobre "de ouvido": é a audiometria, com o teste por via aérea e por via óssea, que separa condutiva de neurossensorial. Até o teste de dígitos, feito de dois jeitos (diótico e antifásico), ajuda a sugerir o tipo (De Sousa 2022), mas a confirmação é do exame.

Graus: de leve a profunda

A audiometria mede, tom a tom, o som mais fraco que você ouve, em decibéis de nível de audição. Quanto maior o número, maior a perda. A OMS descreve os graus a partir desse limiar no melhor ouvido — leve, moderada, severa e profunda — e chama de incapacitante a perda acima de 35 dB no melhor ouvido; é esse o corte dos números globais dela. Já os cortes do teste de dígitos foram calibrados contra perdas acima de 20 e de 25 dB (Ceccato 2021): ele foi feito para pegar a perda cedo, antes de virar incapacitante.

Grau não é a mesma coisa que impacto. Uma perda leve pode não aparecer numa conversa silenciosa e atrapalhar muito num restaurante, porque o ruído cobre exatamente as partes fracas da fala que ela já deixou de entregar — é isso que o teste de dígitos no ruído mede (De Sousa 2020). Por isso o sinal mais comum é o próximo.

Sinais: "não entendo o que as pessoas falam"

O primeiro sinal, para a maioria, não é "não ouvir": é ouvir e não entender — em restaurante, festa, reunião, com várias pessoas falando. É a dificuldade que os programas de treino auditivo tentam melhorar, inclusive em quem já usa aparelho auditivo (meta-análise de 2023; Lawrence 2018), e é exatamente a tarefa que o teste de dígitos no ruído mede.

Outras coisas que as pessoas relatam, e que valem uma audiometria:

  • pedir para repetir com frequência, ou responder "hã?" antes de entender;
  • a TV mais alta do que os outros da casa gostariam;
  • cansaço depois de uma conversa em grupo — o esforço de completar o que faltou;
  • sensação de ouvido tampado que não passa;
  • zumbido.

Zumbido merece linha própria: ele anda junto com a perda auditiva com tanta frequência que a diretriz de zumbido da AAO-HNS (2014) orienta a avaliação audiológica. Se você tem zumbido e nunca fez audiometria, comece por ela — e leia a página do zumbido.

Surdez súbita é urgência

Pode ser só o ouvido médio, depois de um resfriado ou de uma viagem de avião — mas você não tem como saber sozinho se é isso ou uma perda súbita do ouvido interno. A diferença quem faz é o exame, e é por isso que a orientação é ir, não esperar.

O tamanho do problema

10 mi+
brasileiros com algum grau de deficiência auditiva (5% da população); 2,7 milhões com surdez profunda
28 mi
brasileiros convivem com zumbido
2,5 bi
pessoas com algum grau de perda auditiva até 2050; 700 milhões incapacitante
1 bi+
jovens adultos em risco de perda permanente e evitável por escuta insegura

Prevenção: a única perda que dá para evitar por completo

A perda auditiva por som alto é permanente e evitável: a OMS estima mais de 1 bilhão de jovens adultos em risco por práticas de escuta inseguras, e o padrão conjunto OMS-UIT para aparelhos de som pessoais (ITU-T H.870) define a cota de referência: 80 dBA por 40 horas na semana, com a regra de que cada 3 dB a mais cortam o tempo seguro pela metade.

É por isso que um tocador de música tem obrigação de medir a dose que entrega. A Escuta Segura do Harmônix estima a sua cota semanal enquanto você ouve e avisa em 80% e 100% — de graça, para todo mundo, porque prevenção é a ferramenta que vale antes de qualquer queixa.

  • Show, obra, moto, ferramenta elétrica: protetor auricular. A conta de nível × tempo é a mesma do fone.
  • Fone: volume mais baixo, tempo mais curto, pausas — e olhar a cota antes de aumentar.
  • Quem trabalha ou vive em ruído: audiometria periódica, porque a perda por ruído chega em silêncio.

Treino de fala no ruído: o que ele pode e o que não pode

Se a queixa é entender no barulho, dá para treinar a tarefa. Uma meta-análise de 2023 com 23 estudos (treino auditivo computadorizado) encontrou melhora mensurável em limiar de percepção de fala e em escore de fala no ruído; Lawrence e colegas (2018) mostraram que o cérebro adulto continua plástico na terceira idade, com mudanças neurais acompanhando a melhora; e um estudo de 2025 (npj Science of Learning) viu ganho em fala no ruído em idosos com treino auditivo-cognitivo imersivo, independentemente do grau de perda e da memória de trabalho.

Evidência moderada

Treino auditivo melhora a fala no ruído — na tarefa treinada

Melhora mensurável em limiar de percepção de fala e escore de fala no ruído. O cérebro adulto segue plástico na terceira idade. O ganho é sobretudo na tarefa treinada — e a tarefa, aqui, é a própria queixa.

Fonte: Meta-análise 2023, 23 estudos; Lawrence 2018; npj Science of Learning 2025

Não sustentado

'Treino cerebral' que melhora a memória no dia a dia

Controlando efeito placebo e viés de publicação, a transferência distante do treino cognitivo foi igual a zero. Por isso a promessa certa é "entender melhor no barulho" — nunca "melhorar a audição" nem "melhorar a memória".

Fonte: Sala 2019 — meta-análise de segunda ordem

O limite honesto: a melhora é sobretudo na tarefa treinada. A meta-análise de segunda ordem de Sala e colegas (2019), controlando placebo e viés de publicação, encontrou transferência distante do "treino cerebral" igual a zero. Por isso a promessa certa é "treinar para entender melhor no barulho" — e as promessas erradas, que você não vai ler aqui, são "melhorar a audição" e "melhorar a memória". Treino não substitui aparelho auditivo nem avaliação.

O treino do Harmônix está em preparação. A matéria-prima já existe: 1.685 faixas do acervo com transcrição palavra a palavra e tempo marcado — vozes reais, em português brasileiro. O exercício vai tocar um trecho de 3 a 5 segundos com ruído por cima; você escolhe, entre quatro palavras, a que ouviu, e o nível do ruído se ajusta ao seu acerto. Cinco minutos por dia, com o seu limiar num gráfico ao longo das semanas. Enquanto ele não chega, o teste de audição mede a mesma tarefa e diz onde você está.

Isto é

Informação sobre tipos, graus e sinais de perda auditiva, um rastreio gratuito de três minutos, prevenção pela dose sonora e, em preparação, um exercício de fala no ruído — cada peça com a sua fonte.

Isto não é

Diagnóstico, laudo, prescrição de aparelho auditivo ou reabilitação. Quem gradua a perda é a audiometria; quem indica aparelho ou implante é o profissional. Perda súbita não se acompanha por app: é urgência. É a finalidade declarada que separa informação de dispositivo médico (RDC ANVISA 657/2022).

Encaminhamento

Onde buscar atendimento

Nada nesta página substitui uma avaliação. Quem mede a sua audição de verdade é um profissional — e o caminho existe também pelo SUS.

  • Pelo SUS: vá à Unidade Básica de Saúde (UBS) mais próxima e peça encaminhamento para avaliação auditiva (audiometria). É gratuita.
  • Com plano de saúde ou particular: procure um fonoaudiólogo ou um otorrinolaringologista.
Surdez súbita: não espere a consulta de rotina — pronto atendimento, UPA ou otorrinolaringologista nos primeiros dias.

Isto é uma triagem, não um diagnóstico. Só uma avaliação com profissional mede a sua audição de verdade.

Perguntas frequentes

Perda auditiva tem cura?

Depende do tipo. Perda condutiva muitas vezes tem causa tratável — cera, infecção, líquido no ouvido médio. Perda neurossensorial por ruído ou idade é permanente: a OMS lembra que a perda por som alto é permanente e evitável. Permanente não quer dizer sem saída: aparelhos auditivos, implantes cocleares e reabilitação estão entre as respostas que a OMS lista, e o treino de fala no ruído melhora a tarefa que mais incomoda. Quem define o caminho é a avaliação.

Surdez súbita: o que fazer?

Ir, não esperar. Perda de audição que aparece em horas ou poucos dias é o caso em que o tempo conta: procure atendimento nos primeiros dias — pronto atendimento, UPA ou otorrinolaringologista; pelo SUS, a UBS encaminha. Vale com ou sem zumbido e tontura, em um ouvido ou nos dois.

Não entendo o que as pessoas falam no barulho. É perda auditiva?

Pode ser, e costuma ser o primeiro sinal — mesmo quando a conversa em silêncio vai bem. É exatamente isso que o teste de dígitos no ruído mede, em três minutos, com fone. Se der "atenção" ou "procure avaliação", a audiometria confirma; se der "boa", repita em um ano, ou antes se piorar.

O que é perda auditiva neurossensorial?

É a perda em que a falha está na cóclea (o ouvido interno) ou no nervo auditivo, e não no caminho do som até lá. Entre as causas que a OMS lista estão ruído, envelhecimento, genética, infecções e medicamentos ototóxicos. Quando vem de ruído ou idade é permanente, e se reabilita com aparelho auditivo ou, em perdas profundas, implante coclear. "Bilateral" quer dizer nos dois ouvidos; "unilateral", em um só.

Fone de ouvido causa perda auditiva?

O fone não; o nível alto por muito tempo, sim — e o fone facilita isso. A norma OMS-UIT define 80 dBA por 40 horas na semana como cota de referência, e cada 3 dB a mais cortam esse tempo pela metade; fones intra-auriculares passam de 100 dBA no volume máximo. A página de escuta segura tem a tabela completa e explica como o Harmônix estima a sua dose.

Treino auditivo melhora a audição?

Não melhora o limiar de audição, e não prometemos isso. Ele melhora a tarefa treinada — entender fala no ruído — de forma mensurável (meta-análise de 2023), e a transferência para outras habilidades, como memória, foi igual a zero quando se controlam placebo e viés de publicação (Sala 2019). É útil pelo que é: exercício para a queixa que mais incomoda.

Qual a diferença entre teste de audição e audiometria?

A audiometria mede o limiar de audição, tom a tom, em cabine, com fone calibrado e profissional: é o exame que diagnostica e gradua a perda, e é gratuito pelo SUS com encaminhamento da UBS. O teste de audição do Harmônix é um rastreio de três minutos, com qualquer fone, que mede a fala no ruído e diz se vale a pena fazer a audiometria.

Quantas pessoas têm perda auditiva no Brasil?

Mais de 10 milhões de brasileiros têm algum grau de deficiência auditiva — cerca de 5% da população, segundo o IBGE, via Jornal da USP —, dos quais 2,7 milhões com surdez profunda. No mundo, a OMS projeta 2,5 bilhões de pessoas com algum grau de perda até 2050, 700 milhões delas com perda incapacitante.

Referências

Todas com DOI ou link para a fonte primária, verificados em 20/09/2026. A nota em cada item diz como ler o estudo: tamanho da amostra, se foi em animais ou pessoas, e o que ele sustenta ou não.

  1. 1.
    Ceccato, J.-C., Duran, M.-J., Swanepoel, D.W., Smits, C., De Sousa, K.C., Gledhill, L., Venail, F. & Puel, J.-L. (2021). French version of the antiphasic digits-in-noise test for smartphone hearing screening. Frontiers in Public Health, 9, 725080. doi:10.3389/fpubh.2021.725080EstudoNormo-ouvintes < 25 anos: SRT −15,4 dB SNR (± 1,3). Corte −11,7 dB SNR: sensibilidade 0,96 / especificidade 0,93 para perda > 25 dB HL; corte −12,9: 0,92 / 0,86 para > 20 dB HL.
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  3. 3.
    De Sousa, K.C., Smits, C., Moore, D.R., Myburgh, H.C. & Swanepoel, D.W. (2022). Diotic and antiphasic digits-in-noise testing as a hearing screening and triage tool to classify type of hearing loss. Ear and Hearing, 43(3), 1037–1048. doi:10.1097/AUD.0000000000001160Estudo
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    Barros, V.V., Nunes-Araújo, A.D.S., Silva, A.R.X., Cavalcanti, H.G., Ferrari, D.V. & Balen, S.A. (2022). Teste de dígitos no ruído no Português Brasileiro: influência das variáveis demográficas e socioeconômicas em normo-ouvintes. CoDAS, 34(6), e20210274. doi:10.1590/2317-1782/20212021274EstudoEstudo normativo em 151 normo-ouvintes (versão diótica com ruído branco). Não é validação com sensibilidade/especificidade.
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    ANVISA (2022). Software como dispositivo médico: perguntas e respostas (RDC 657/2022). ANVISA. linkNorma / regulaçãoO critério central é a FINALIDADE declarada: por isso o Harmônix fala em triagem, autocuidado e apoio, nunca em diagnóstico ou tratamento.

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